Anexo “4” [...] [...] [...]
Nossa contestação à hipótese do
“comportamento mimético” no
“moderno capitalismo bursátil” [...]
[...] [...]
Prosseguindo em nossa
abordagem parece-nos oportuno
a leitura do seguinte fragmento de
texto encontrado na literatura
técnica de autoria de André
Orléan: [...] [...] [...]
[...] As we will see later in
connection with financial markets,
a propensity to wild swings, both
upward and downward, is the
direct expression of mimetic
behavior. (18) [...] [...] [...]
Tradução: [...] [...] [...]
[...] Como veremos mais adiante
em relação aos mercados
financeiros, a propensão a
oscilações excessivas, tanto para
cima quanto para baixo, é uma
expressão direta do
comportamento mimético. (18)
[...] [...] [...]
Entretanto, iremos discordar da
inteligência contida no fragmento
de texto acima. A nosso ver, a
hipótese sobre a origem do
surgimento das “bolhas
especulativas” em Bolsa de
Valores sustentada por Frédéric
Lordon é a que melhor se
aproxima daquilo que ocorre na
realidade. Segundo Lordon, o
surgimento de “preços de
mercado” extravagantes (“bolhas
especulativas”) nas Bolsas de
Valores se assemelha àquilo
conhecido por “pirâmides
financeiras”, ou “tendências Ponzi
dos mercados”, como podemos
ler no conceito de “pirâmide
financeira”, mencionado no anexo
anterior. [...] [...] [...]
Reforça nossa discordância
acima sobre a hipótese do
“comportamento mimético” o
seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] La croissance de la sphère
financière et des revenus qu’elle
procure n’est possible qu’en
proportion exacte de
l’augmentation de la plus-value
non accumulée, et l’une comme
l’autre admettent des limites, qui
ont été atteintes.(22)
Traduzindo:
[...] O crescimento do setor
financeiro e dos ganhos que este
proporciona só é possível na
proporção exata do aumento da
mais-valia não acumulada, e um,
como o outro, admitem limites
que foram atingidos. (22) [...] [...]
[...]
Entretanto, a expressão “admitem
limites que foram atingidos”,
acima mencionada, contrasta
com a inteligência contida no
fragmento de texto de autoria de
André Orléan: “[...] a propensão a
oscilações excessivas [...] é uma
expressão direta do
comportamento mimético.” (18)
[...] [...] [...]
Neste sentido, parece-nos que
André Orléan se esqueceu de
algo que ele próprio disse: [...] [...]
[...]
“[...] o fato de um indivíduo ter a
liberdade para vender um título
sempre que desejar existe
apenas em virtude de um
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” (18)
[...] [...] [...]
Assim, a leitura e interpretação do
fragmento de texto acima
fortalecem nossa sustentação de
que o “hodierno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“pirâmide financeira” e/ou uma
“conspiração”. Neste sentido, o
“[...] compromisso implícito por
parte da comunidade financeira
como um todo de manter a
totalidade dos títulos no longo
prazo” significa que àqueles que
mantêm a “[...] totalidade dos
títulos no longo prazo” carregam
um pesado fardo. Deste modo, se
encontram àqueles participantes
do mercado que “mantêm em
carteira” títulos que têm por “valor
intrínseco” valores bem inferiores
àqueles do “preço de mercado”.
Neste sentido, devemos
relembrar que prevalece nos
mercados bursáteis uma oferta
“não-concorrencial”. Entretanto, a
oferta “não-concorrencial”
contraria a “hipótese dos
mercados eficientes”, como
veremos no próximo anexo. [...]
[...] [...]
Permite-nos ilustrar tal afirmação
o contraste entre dois fragmentos
de texto encontrados na literatura
técnica. Neste sentido, em
primeiro lugar, encontramos na
literatura técnica o seguinte
fragmento de texto: [...] [...] [...]
[...] It stands to reason that the
greater the present dividends and
their rate of increase, the greater
the value the stock; thus,
differences in growth rates are a
major factor in stock valuation.
(48) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] É óbvio que quanto maiores
forem os dividendos atuais e sua
taxa de crescimento, maior será o
valor da ação. Assim, as
diferenças entre as taxas de
crescimento são o principal fator
na avaliação de uma ação. (48)
[...] [...] [...]
Em segundo lugar, encontramos
na literatura técnica o seguinte
fragmento de texto: [...] [...] [...]
[...] eles exigem que a atividade
dos grupos nos quais eles detêm
ações seja voltada para dois
objetivos: manter as cotações das
ações no nível mais elevado
possível e manter a maximização
dos fluxos de dividendos. (30) [...]
[...] [...]
Embora ambos os fragmentos de
texto acima mencionados
objetivem a maximização dos
fluxos de dividendos saltam aos
nossos olhos a total diferença
entre si, do espírito destes. Em
outros termos, é total a
incompatibilidade entre a
maximização artificial do fluxo de
dividendos, mencionada no
segundo fragmento de texto
acima, com àquilo que seria a
verdadeira finalidade dos
dividendos, mencionada no
primeiro fragmento de texto.
Voltaremos ao tema no Anexo “6”
aos estudarmos a evolução do
“valor intrínseco” de Vale nos
últimos dez anos. [...] [...] [...]
Neste sentido, o mercado,
segundo o filósofo francês Dany-
Robert Dufour, “seria a única
verdadeira realidade no mundo
de ficção dos homens”. Assim,
em seu livro, O Divino Mercado
(46), ao se referir ao Mercado,
Dufour, aduz: “ELE POSSUI A
ONIPOTÊNCIA, CONTANTO
QUE O DEIXEM REALMENTE
AGIR”. Ou, ainda, quando
declara: “NADA DEVE PODER
ENTRAVAR O EXERCÍCIO
SOBERANO DESSA FORÇA”.
[...] [...] [...]
Antes vimos que o “moderno
capitalismo bursátil” pode ser
equiparado a algo que tem um
tempo de vida limitado;
entretanto, tal observação
permite-nos concluir que o
“moderno capitalismo bursátil”
equipara-se a uma “pirâmide
financeira”, pois as “pirâmides
financeiras” têm um tempo de
vida limitado. Em contraste, o
“comportamento mimético”
sugere algo sem limites, mesmo
sem comprometimento não
apenas com o tempo, mas
principalmente com o “valor
intrínseco”. Ademais, a afirmação
de que “[...] um compromisso
implícito por parte da comunidade
financeira como um todo de
manter a totalidade dos títulos no
longo prazo” permite-nos
sustentar que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma instituição social que
eventualmente terá um fim. Tal
afirmação parece-nos correta,
pois é nítido que tal
“compromisso implícito” limita-se
ao “preço de mercado”. Assim,
embora tal “compromisso
implícito” possibilite a obtenção
de “mais-valias” não tem
nenhuma influência na formação
do “valor intrínseco”.
Consequentemente, a contínua
obtenção de “mais-valias” diminui
o tempo de vida do mercado, pois
o como o segredo da bolha é a
adesão especulativa, esta é
diminuída. (14) [...] [...] [...]
Em síntese, nossa demonstração
mostra a insustentabilidade da
hipótese do comportamento
mimético no “moderno
capitalismo bursátil”. Reforçam
nossa sustentação duas
hipóteses de autoria do próprio
Orléan: (1) a Bolsa de Valores
não serve para avaliar os títulos
bursáteis; (2) a Bolsa de Valores
não financia a acumulação.
Assim, por exclusão iremos
doravante sustentar que o
“moderno capitalismo bursátil”
serve tão somente para transferir
riquezas dos trabalhadores e
pequenos acionistas para
“determinado capital financeiro”.
Adicionalmente, vem reforçar
ainda mais tal sustentação a
hipótese de que o “moderno
capitalismo bursátil” equipara-se
a um oligopólio, como veremos
na segunda parte do presente
trabalho. [...] [...] [...]
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